Odontóloga, líder comunitária, filantropa e missionária voluntária, fiel à doutrina de Ellen G. White e aos princípios da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Por Jornalista Montezuma Cruz

Por iniciativa do Senador da República Álvaro Dias (PR), líder do partido PODEMOS, ex-Governador do Estado do Paraná e candidato à Presidência da República, foi registrada nos Anais do Senado Federal a biografia de Adamar de Paiva Sales, odontóloga, filantropa e conselheira familiar, cuja trajetória se destacou pelo compromisso ético, pela dedicação à família e pelo relevante serviço prestado à comunidade, especialmente em regiões de difícil acesso da Amazônia brasileira.
A biografia foi escrita por seu filho, Samuel Sales Saraiva, rondoniense, ex-suplente de Deputado Federal e ex-assessor parlamentar na Câmara dos Deputados, e jornalista residente em Washington, D.C., desde 1992, onde atua como empresário, sendo membro do National Press Club (NPC) e da National Association of Hispanic Journalists (NAHJ).
Adamar de Paiva Sales nasceu às 21 horas do dia 4 de dezembro de 1933, no Lago do Salé, então Território de Juruti, Comarca de Óbidos, Estado do Pará, na localidade rural de Igarapé-Assú (atualmente Tabatinga). Era filha de Antônio Sales de Farias e Tertuliana Paiva de Farias. Desde a infância, recebeu o afeto e os cuidados de seus avós paternos, Antônio Ferreira de Farias e Francisca de Paula Sales, bem como de seus avós maternos, José Alípio de Paiva Palhão e Maria Antônia da Conceição Paiva.
Em 2 de junho de 1935, às 15 horas, sua mãe faleceu aos 35 anos, em decorrência de complicações no parto, deixando órfãos Adamar e seus irmãos Álvaro, Antoniana e Aloísio. Em razão das circunstâncias da época, os filhos passaram aos cuidados de familiares e pessoas próximas, enfrentando desde cedo as limitações e desafios impostos pela realidade social do período.
Sua infância e adolescência transcorreram sob a responsabilidade de parentes, tendo sido inicialmente acolhida por um tio, posteriormente residido com a prima Otacília, e, mais tarde, ingressado em um internato católico, onde permaneceu até a adolescência. Desde cedo, destacou-se pela conduta ética, postura discreta e valorização da educação, dos princípios morais e da disciplina pessoal.
Ainda jovem, Adamar de Paiva Sales formou-se em Odontologia, na cidade de Belém do Pará, integrando uma turma composta por reduzido número de mulheres, fato que representava, à época, relevante conquista no campo profissional feminino.
Aos 22 anos, atuando como comerciária e estudante de próteses odontológicas, conheceu o enfermeiro militar Jairo de Freitas Saraiva, ex-combatente brasileiro da Segunda Guerra Mundial, filho de Luiz Rufino Saraiva e Maria de Freitas Saraiva. O casamento foi celebrado em 7 de janeiro de 1955, no Município de Parangaba, Comarca de Fortaleza, Estado do Ceará.

Após o casamento, o casal decidiu regressar à cidade de Manaus, local onde haviam se conhecido. Com o propósito de ampliar o alcance da assistência odontológica em regiões isoladas da Amazônia, adquiriram uma pequena embarcação movida a diesel, denominada “Jaimar”, nome formado pela junção de Jairo e Adamar. Na embarcação foi instalado um consultório odontológico móvel ambulatorial, destinado ao atendimento de populações ribeirinhas situadas às margens dos rios Negro, Solimões e Madeira.
Adamar de Paiva Sales participou ativamente da condução da embarcação, familiarizando-se com as rotinas e exigências da navegação fluvial. No exercício profissional, atuou em um período histórico no qual os profissionais da Odontologia desempenhavam múltiplas funções clínicas, incluindo extrações dentárias, tratamento de fístulas, obturações, curativos, confecção de próteses e restaurações, atividades que exigiam amplo conhecimento técnico e elevado senso de responsabilidade.

Sua atuação caracterizou-se pela disponibilidade irrestrita ao atendimento, não condicionando a prestação de serviços à capacidade financeira dos pacientes. Em diversas ocasiões, aceitou produtos regionais como forma de retribuição, prática comum em comunidades de subsistência, o que reforçou sua integração social e o compromisso com o atendimento humanizado.
Paralelamente à atividade profissional, dedicou-se à vida familiar e a ações de cunho filantrópico e comunitário, prestando orientação, apoio moral e aconselhamento a familiares, amigos e membros da comunidade. Sua conduta pautava-se pela serenidade, pela escuta atenta e pela prudência, qualidades que a tornaram amplamente respeitada.
Em um contexto histórico de restritas oportunidades às mulheres, destacou-se por exercer atividade profissional qualificada, mantendo autonomia intelectual, firmeza de princípios e participação ativa na vida social, sem abdicar dos valores familiares.

Por ocasião de seu falecimento, a então Senadora da República Fátima Cleide, Presidente da Comissão de Educação do Senado Federal, registrou o seguinte depoimento:
“Dona Adamar foi mais do que nossa dentista e eleitora fiel. Foi um exemplo. Eu a admirava pela sua integridade moral, por ser uma mulher dinâmica em tempos em que à mulher era reservado o espaço estritamente doméstico.”


Adamar de Paiva Sales faleceu em 16 de novembro de 2012, às 19h50min, aos 78 anos de idade, na cidade de Porto Velho, Estado de Rondônia, em decorrência de choque hipovolêmico e hemorragia interna, resultantes de trauma tóraco-abdominal causado por acidente de trânsito. Seus restos mortais foram sepultados no Lago do Salé, em Juruti, Estado do Pará, junto à sepultura de sua mãe, Tertuliana Paiva de Farias.
A trajetória de Adamar de Paiva Sales evidencia uma vida marcada pela ética, pelo trabalho, pela solidariedade e pelo compromisso social, especialmente em regiões historicamente carentes de assistência pública. Seu exemplo justificou plenamente o registro biográfico dessa notável brasileira nos Anais do Senado Federal, como reconhecimento à sua contribuição humana, profissional e cidadã.
Fonte: SENADO FEDERAL SF – SECRETARIA-GERAL DA MESA– SECRETARIA DE REGISTRO E REDAÇÃO PARLAMENTAR – SERERP – COORDENAÇÃO DE REDAÇÃO E MONTAGEM – COREM – 06/02/2017.
NOTA: Atendendo requerimento da família a Justiça de Rondônia autorizou em 22 de outubro de 2019 a exumação, traslado e inumação dos restos mortais da pioneira Adamar de Paiva Sales, do Cemitério Santo Antônio em Porto Velho, para o Cemitério de Tabatinga, distrito de Juruti, localizado no Lago do Sale, Estado do Pará.
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Comentários:
Justa homenagem à minha inesquecível mãe, Adamar de Paiva Sales, cuja presença permanece viva na memória, no exemplo e nos valores que eternizou em todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com ela. Mulher de virtudes raras, deixou como maior legado o amor incondicional, a força diante das adversidades e a dignidade como forma de viver.
Seus tributos não se limitam às conquistas materiais, mas se revelam, sobretudo, nos ensinamentos silenciosos, nos gestos de cuidado, na palavra firme e acolhedora, e na capacidade de transformar vidas com simplicidade e sabedoria. Sua trajetória foi marcada pela generosidade, pelo respeito ao próximo e pelo compromisso com a família, valores que permanecem como herança moral e afetiva.
Mesmo na ausência física, sua memória segue presente, orientando decisões, inspirando atitudes e fortalecendo laços. Reconhecer sua importância é reafirmar que o amor verdadeiro transcende o tempo e que aqueles que deixam marcas profundas jamais se vão por completo.
Que esta homenagem sirva como registro de gratidão, respeito e eterno reconhecimento à mulher e mãe extraordinária que foi e que continuará sendo, para sempre, fonte de orgulho, inspiração e saudade.
Seu filho.
Jaimar Sales Saraiva

