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Reciprocidade Diplomática entre Brasil e Estados Unidos
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Reflexões e alerta estratégico a partir da perspectiva de quem conhece profundamente a cultura política brasileira
Autor: Samuel Sales (Saraiva)
Local: Washington DC – Estados Unidos
Data: 18 de março de 2026
Cc:
Presidente Donald J. Trump
Secretário Marco Rubio – Departamento de Estado dos Estados Unidos
Embaixada dos Estados Unidos no Brasil
Cc adicional:
Bureau of Western Hemisphere Affairs – U.S. State Department
U.S. Senate Committee on Foreign Relations
U.S. House Committee on Foreign Affairs
Assunto: Brasil: Reciprocidade Diplomática ou Conveniência Política?
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Presidente Trump,
Os recentes acontecimentos envolvendo a decisão do governo brasileiro de negar a entrada em seu território ao seu assessor, Sr. Darren Beattie, sob a justificativa do princípio diplomático da “reciprocidade”, suscitam uma reflexão que ultrapassa o episódio em si e alcança uma questão mais ampla: a coerência com que tal princípio vem sendo invocado no debate político e diplomático.
Se a reciprocidade pretende constituir um fundamento legítimo das relações entre Estados soberanos, ela precisa ser aplicada com consistência, racionalidade e honestidade intelectual — e não de forma seletiva, circunstancial ou motivada por conveniências políticas momentâneas.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva decidiu invocar esse princípio em defesa de um aliado político e assessor estrangeiro. No entanto, essa mesma preocupação não parece se estender aos mais de um milhão de cidadãos brasileiros que vivem atualmente nos Estados Unidos em situação migratória irregular.
Esses indivíduos, apesar de sua condição jurídica vulnerável, trabalham, produzem e enviam anualmente bilhões de dólares em remessas ao Brasil — recursos que sustentam famílias e contribuem significativamente para a economia brasileira. Vivem muitas vezes sob o peso da incerteza e nas sombras do medo, enquanto o establishment político brasileiro raramente demonstra preocupação concreta com sua realidade.
Diante disso, surge uma questão inevitável:
Por que o princípio da reciprocidade é prontamente invocado para proteger autoridades, assessores e interesses políticos, mas raramente é lembrado quando se trata de reconhecer ou defender milhões de cidadãos comuns que vivem no exterior em condições difíceis?
Princípios diplomáticos perdem legitimidade quando aplicados de forma seletiva.
Se levado ao extremo, o argumento da reciprocidade poderia conduzir a hipóteses absurdas — como imaginar, por exemplo, o incentivo à migração irregular equivalente de cidadãos americanos para a região amazônica. Tais cenários apenas evidenciam como esse princípio se torna frágil quando utilizado como instrumento retórico em disputas políticas, e não como um verdadeiro fundamento da prática diplomática pragmatica.
Por essa razão, o princípio da reciprocidade não deveria ser reduzido a um slogan político utilizado em momentos de tensão diplomática de forma conveniente para autoriudades sob o mando de interesses nacionais e soberania. Ele deveria refletir um compromisso genuíno com o respeito às leis, à justiça e à dignidade dos cidadãos — não apenas daqueles que ocupam posições de poder dispostos a transformas posturas exdruxulas em privilegios diplomaticos.
Como nação historicamente fundada no Estado de Direito, os Estados Unidos possuem tanto a autoridade moral quanto a responsabilidade estratégica de tratar tais inconsistências com clareza e firmeza.
Em um mundo cada vez mais interdependente, a coerência entre princípios proclamados e práticas efetivas torna-se um dos pilares mais importantes da credibilidade internacional das nações.
Respeitosamente,
Samuel Sales
Nota: Esta mensagem foi postada no site oficial da Casa Branca como uma submissão pública.
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Comentário
O texto apresentado pelo autor toca em um ponto sensível, porém raramente abordado com clareza no debate público: a coerência na invocação do princípio da reciprocidade nas relações internacionais.
Na teoria das relações diplomáticas, a reciprocidade constitui um dos pilares clássicos da convivência entre Estados soberanos. No entanto, como bem sugere o artigo, esse princípio frequentemente deixa de ser aplicado como regra universal e passa a ser utilizado de forma seletiva, conforme as conveniências políticas do momento.
A reflexão proposta pelo autor tem mérito especial por partir de uma perspectiva incomum: a de alguém que conhece simultaneamente as realidades sociais, culturais e políticas tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos. Essa dupla experiência permite observar contradições que muitas vezes passam despercebidas no debate doméstico de cada país.
Ao levantar a questão da assimetria migratória entre as duas nações, o texto não pretende reduzir um fenômeno complexo a uma simples equação diplomática. Pelo contrário, convida o leitor a refletir sobre algo mais profundo: a tendência recorrente de certos governos invocarem princípios jurídicos ou diplomáticos apenas quando estes servem a determinados interesses circunstanciais.
Em última análise, o argumento apresentado não é uma crítica a um país específico, mas sim uma observação sobre um problema recorrente na política internacional: quando princípios deixam de ser princípios e passam a ser instrumentos retóricos.
Essa reflexão, por si só, já cumpre um papel relevante no debate público, pois recorda que a credibilidade de qualquer governo na arena internacional depende, acima de tudo, da coerência entre aquilo que proclama como princípio e aquilo que pratica como política.
— Dr. Adrian Whitmore
Professor de Relações Internacionais
Former Lecturer at the Diplomatic Training Institute
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English version
OPEN LETTER TO THE GOVERNMENT OF THE UNITED STATES
Diplomatic Reciprocity between Brazil and the United States
Reflections and a strategic alert from the perspective of someone deeply familiar with Brazilian political culture
Author: Samuel Sales
Location: Olney, Maryland – United States
Date: March 18, 2026
Note: This message was posted on the official website of the White House as a public submission.
Cc:
President Donald J. Trump
Secretary Marco Rubio – United States Department of State
U.S. Embassy in Brazil
Additional Cc:
Bureau of Western Hemisphere Affairs – U.S. Department of State
U.S. Senate Committee on Foreign Relations
U.S. House Committee on Foreign Affairs
Subject: Brazil — Diplomatic Reciprocity or Political Convenience?
To the Government of the United States,
Recent events involving the decision of the Brazilian government to deny entry into its territory to President Donald Trump’s advisor, Mr. Darren Beattie, under the justification of the diplomatic principle of “reciprocity,” raise a reflection that goes beyond the episode itself and reaches a broader question: the coherence with which this principle has been invoked in contemporary political and diplomatic discourse.
If reciprocity is to constitute a legitimate foundation of relations between sovereign states, it must be applied with consistency, rationality, and intellectual honesty — not selectively, circumstantially, or according to momentary political convenience.
Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva chose to invoke this principle in defense of a political ally and foreign advisor. Yet this same concern does not appear to extend to the more than one million Brazilian citizens currently living in the United States under irregular immigration status.
Despite their vulnerable legal condition, these individuals work, produce, and send billions of dollars in remittances to Brazil each year — resources that sustain families and contribute significantly to the Brazilian economy. Many live under the weight of uncertainty and in the shadows of fear, while the Brazilian political establishment rarely demonstrates concrete concern for their reality.
This raises an unavoidable question:
Why is the principle of reciprocity readily invoked to protect authorities, advisors, and political interests, yet rarely remembered when it comes to recognizing or defending millions of ordinary citizens living abroad under difficult circumstances?
Diplomatic principles lose legitimacy when they are applied selectively.
Taken to its extreme, the argument of reciprocity could lead to absurd hypotheses — such as imagining the encouragement of an equivalent irregular migration of American citizens to the Amazon region. Such scenarios merely reveal how fragile this principle becomes when used as a rhetorical instrument in political disputes, rather than as a genuine foundation of diplomatic practice.
For this reason, the principle of reciprocity should not be reduced to a political slogan, invoked during moments of diplomatic tension by authorities claiming to act in the name of national sovereignty. Instead, it should reflect a genuine commitment to respect for the law, justice, and the dignity of citizens — not only those who occupy positions of power.
As a nation historically founded upon the rule of law, the United States possesses both the moral authority and the strategic responsibility to address such inconsistencies with clarity, balance, and firmness.
In an increasingly interdependent world, the coherence between proclaimed principles and actual practices has become one of the fundamental pillars of international credibility.
When principles are invoked only to protect allies or circumstantial interests, they cease to be principles — they become instruments of political convenience.
And when that happens, it is not only diplomacy that is weakened.
It is the very idea of justice in relations between nations that begins, quietly, to erode.
Respectfully,
Samuel Sales
Observer of Brazilian political culture and Brazil–United States relations
Note: This message was posted on the official website of the White House as a public submission.
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Comment
The text presented by the author addresses a sensitive issue that is rarely discussed with clarity in the public debate: the coherence with which the principle of reciprocity is invoked in international relations.
In the theory of diplomatic relations, reciprocity constitutes one of the classic pillars governing the coexistence of sovereign states. However, as the article rightly suggests, this principle is often no longer applied as a universal rule and instead becomes selectively invoked according to the political conveniences of the moment.
The author’s reflection carries particular merit because it emerges from an uncommon perspective: that of someone familiar with the social, cultural, and political realities of both Brazil and the United States. This dual experience allows certain contradictions to be perceived—contradictions that frequently remain unnoticed within the domestic debate of each country.
By raising the question of migratory asymmetry between the two nations, the text does not seek to reduce a complex phenomenon to a simple diplomatic equation. On the contrary, it invites the reader to reflect on something deeper: the recurring tendency of governments to invoke legal or diplomatic principles only when they serve specific and circumstantial interests.
Ultimately, the argument presented is not a criticism directed at any single country, but rather an observation about a persistent challenge in international politics: when principles cease to function as principles and become merely rhetorical instruments.
This reflection alone fulfills an important role in the public debate, reminding us that the credibility of any government in the international arena depends, above all, on the coherence between what it proclaims as principle and what it practices as policy.
— Dr. Adrian Whitmore
Professor of International Relations
Former Lecturer at the Diplomatic Training Institute

