A VERGONHOSA E LUCRATIVA INDÚSTRIA CRIADA EM NOME DE DEUS: ENGANO, MORTE, DÍZIMO E PRIVILÉGIOS FISCAIS

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Entre o altar e a fome: a sinceridade é ataque, a compaixão é ameaça — e a ignorância é virtude

Com base em registros históricos, qual é a estimativa de mortes associadas a conflitos travados em nome de Deus — as chamadas ‘guerras santas’ — e em que medida esse conceito, quando instrumentalizado como autoridade moral absoluta, contribui para a suspensão da razão, para a legitimação de crueldades, para a destruição ambiental e para a manutenção de desigualdades extremas? Além disso, como explicar o acúmulo de patrimônio religioso na Terra — frequentemente avaliado em trilhões de dólares — em contraste com o próprio ensinamento atribuído às escrituras (‘não acumuleis tesouros na terra’), sobretudo quando milhões permanecem em miséria crônica e sucumbem à fome e ao abandono? Considerando que a caridade e a compaixão para com os necessitados deveriam ser, na prática, o objetivo moral central de organizações religiosas que ainda desfrutam de incentivos fiscais e outros privilégios, como justificar que muitas dessas instituições, desviadas de seus próprios fundamentos filosóficos, tenha transformado sua atuação em um modelo comercial que vende saúde e educação — serviços dos quais os mais pobres são comprovadamente excluídos — enquanto expandem um negócio altamente lucrativo e ainda impõem à população o pesado encargo de um ‘imposto divino’ chamado dízimo, somado a ofertas constantes, sustentando promessas de recompensa espiritual frequentemente tratadas como mecanismo de exploração e estelionato moral?”

A estimativa de mortes decorrentes de conflitos travados “em nome de Deus” — ou legitimados pela ideia de guerra sagrada — não pode ser fixada com precisão absoluta, pois a História raramente oferece um único fator causal isolado. Ainda assim, os registros permitem afirmar, com razoável segurança, que o total histórico se mede em dezenas de milhões, podendo alcançar centenas de milhões quando se incluem guerras, perseguições, massacres sectários e processos de dominação sustentados por discurso religioso como autorização moral. O ponto essencial não é apenas o número, mas o mecanismo: quando um conflito é carimbado como “sagrado”, deixa de ser tratado como erro humano e passa a ser encarado como “dever”, o que suspende a dúvida, desativa a empatia e transforma a violência em virtude.

Nesse sentido, o conceito de Deus — quando usado como selo de autoridade incontestável — opera como um alucinógeno moral coletivo: não porque crie bombas ou armas, mas porque pode remodelar o julgamento humano, tornando aceitável aquilo que, em condições racionais, seria reconhecido como monstruoso. A ideia de “mandato divino” frequentemente produz uma blindagem psicológica que substitui responsabilidade por obediência, consciência por submissão e ética por medo. Com isso, a mente deixa de perguntar “é certo?” e passa a perguntar apenas “foi ordenado?”, abrindo espaço para fanatismo, desumanização do outro, guerras intermináveis e, inevitavelmente, para a destruição ambiental que acompanha qualquer máquina bélica.

No entanto, a contradição moderna mais gritante não está apenas na guerra: está também na economia do sagrado. Organizações religiosas que pregam, em seus registros “sagrados”, que não se deve acumular tesouros na Terra passaram a concentrar patrimônio e influência que, em muitos casos, alcançam valores de ordem trilionária, enquanto milhões vivem em miséria crônica, morrem de fome ou sobrevivem sem acesso real à saúde, educação e dignidade. Aí surge a pergunta moral inevitável: se a compaixão e a caridade deveriam ser o núcleo prático de toda religião, como justificar que instituições ainda amparadas por incentivos fiscais e privilégios tenham se desviado da finalidade ética e se convertido, em parte, em empreendimentos comerciais, vendendo “cura”, “prosperidade” e até “educação” como produto — exatamente onde os mais pobres são, na prática, excluídos?

A distorção se agrava quando esse modelo não apenas cresce, mas se sustenta por meio de um mecanismo que pode ser descrito como um imposto emocional travestido de fé: o dízimo e as ofertas, exigidos sob pressão moral, medo espiritual ou promessa de recompensa no “plano superior”. Nesse formato, o sagrado deixa de ser um caminho de elevação humana e se transforma em instrumento de controle, onde se comercializa esperança e se administra culpa, enquanto o fiel financia expansão institucional e recebe, em troca, promessas frequentemente impossíveis de verificar — e que, quando usadas como manipulação, se aproximam de um tipo de estelionato moral.

Em resumo: a responsabilidade histórica e social não está em um “Deus metafísico” que ninguém pode provar, mas no uso humano desse conceito como ferramenta de poder. Quando a fé vira blindagem contra a razão e quando o discurso religioso vira estratégia de domínio, o resultado recorrente é sempre o mesmo: violência legitimada, atraso mental normalizado, desigualdade preservada e, muitas vezes, sofrimento em escala industrial. O problema não é a espiritualidade como busca íntima; é o momento em que o sagrado vira moeda — e a consciência humana, refém.

Constatação — A síntese inevitável

No fim, o que se revela não é um mistério espiritual, mas uma engrenagem humana: quando Deus vira argumento absoluto, a razão é dispensada — e tudo passa a ser permitido.

A História registra o preço dessa licença moral: guerras travadas “em nome do sagrado”, massacres justificados como dever e uma humanidade repetidamente seduzida pela ideia de que matar pode ser virtude quando embalado por fé.

E quando o altar se transforma em empresa, o drama se completa: o sagrado vira negócio, a esperança vira moeda, e a miséria continua sendo o chão onde o povo ajoelha — não por fé, mas por falta de alternativa. O mesmo sistema que promete salvação muitas vezes impõe fardos: dízimos, ofertas, medo, culpa e promessas que jamais se podem cobrar.

Assim, o que deveria ser compaixão vira controle.

O que deveria ser caridade vira patrimônio.

O que deveria ser luz vira fumaça.

Porque quando o sagrado vira negócio: a fé vira arma e vira caixa-forte.

E então surge a pergunta que ninguém deveria ignorar: fé ou extorsão moral? O dízimo, o poder e a fome.

Enquanto isso, cresce o paradoxo que humilha a consciência: o delírio consagrado — guerras “santas”, patrimônio trilionário e o povo na miséria.

E se alguém ainda tenta dourar a narrativa, a realidade responde com a frase que não pede opinião, apenas honestidade: “não acumuleis” — eles acumulam.

Pois a verdade incômoda é esta: Deus como entorpecente social serve, com frequência, para produzir a suspensão da razão em nome do sagrado.

E dessa suspensão nasce a monstruosidade moderna: guerras em nome de Deus, lucro em nome da fé.

No fim, o saldo moral é impossível de esconder:

Sagrado para o púlpito, fome para a rua — a fé sequestrada pelo poder.

E o que se vende como eternidade muitas vezes apenas adia a justiça terrena.

Porque, para muitos, restou isso: o paraíso dos outros — promessas espirituais, pobreza real.

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Comentários:

O texto escancara o absurdo: criaram limites mentais, normalizaram injustiças e chamaram submissão de moral. Quem se incomoda não é pela forma — é porque a verdade desmonta o sistema e destrói suas estruturas. Oliver Norton – Los Angeles, CA

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