Crematório - Google imagens

A recente cheia do Rio Madeira causou preocupação e alerta entre as autoridades de Rondônia pela ameaça de inundação dos cemitérios da Candelária e Santo Antônio que se encontram em condições precárias devido principalmente a falta de investimento nesse setor. São visíveis a sujeira, o mato, o lixo, as violações de túmulos e a falta de espaço para novos sepultamentos, o que tem forçado o reaproveitamento de jazigos, situação agravada por uma crescente demanda por enterros no cemitério público. Entretanto a mais temida ameaça pairou na possibilidade de inundação de milhares de sepulturas, o que traria conseqüências catastróficas para o meio ambiente e a saúde pública.

Este alerta da natureza deveria despertar atenção das autoridades municipais para estudos com vistas à construção de um crematório para atender a cidade de Porto Velho e os demais municípios do Estado, evitando o traslado para estados do sul e sudeste do país que possuem serviços de cremação. A instalação de um crematório nos padrões exigidos para licenciamento seria útil tanto para o atendimento de funerais como para eliminação de material biológico, como membros amputados e lixo hospitalar. O crematório poderia atender todos os hospitais para a cremação de membros e órgãos, por exemplo, além de minimizar a agressão e contaminação aos lençóis freáticos. No presente momento esses cemitérios não cumprem nenhuma norma de segurança ambiental.

CEMITÉRIOS SÃO AGENTES PERMANENTES DE CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL

Conforme estudo recente de Pedro Kemerich, Fernando Ernesto Ucker e Willian F. de Borba, publicado pela National Geographic, “a infra-estrutura superada dessas unidades pode afetar recursos hídricos e disseminar microrganismos ameaçadores para a saúde, em razão do crescimento da população e contaminação das águas superficiais, o que compromete os padrões de potabilidade a custos razoáveis. O abastecimento de regiões quase sempre de maior densidade demográfica é um desafio crescente e de alto investimento, limitando a exploração de fontes hídricas subterrâneas."



Cadáver em decomposição

Conforme o documento, “o aumento populacional também exige áreas cada vez maiores para sepultamento de corpos humanos. Assim, áreas destinadas à implantação de cemitérios geralmente são escolhidas entre as de baixa valorização econômica, quase sempre em regiões de reduzido desenvolvimento socioeconômico. Essas áreas, muitas vezes, têm características geológicas e hidrogeológicas não avaliadas devidamente, o que pode levar a problemas sanitários e ambientais de enorme complexidade. Cemitérios são áreas que geram alterações no meio físico e por isso devem ser considerados fontes sérias de impacto ambiental pela contaminação do solo e contaminação das águas, causadoras de doenças associadas ao consumo de água com elevados teores de nitrato."

CREMAÇÃO COMO INADIÁVEL ALTERNATIVA

Da complexidade ambiental envolvendo os cemitérios, no entanto, emergem alternativas que acenam com menores impactos, como a prática de cremação. Para Rosiane Bacigalupo, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em estudo sobre a contaminação proveniente das atividades cemiteriais, embora aquela exista, é de fato tema muito pouco abordado não apenas pela mídia, mas também pela comunidade científica como um todo. 
“A cremação não libera fumaça em seu processo. De modo geral, o procedimento ocorre a temperaturas de 900°C, com duração de duas horas e captura de gases liberados pela queima. Dessa forma, a cremação é a solução póstuma de menor impacto ambiental, pois não gera resíduos convencionais com potencial de contaminar o ambiente, tanto no solo quanto na atmosfera."

 A prática de cremação tem vantagens também quanto à eliminação de microrganismos patogênicos que o enterro convencional apresenta. As elevadas temperaturas da cremação eliminam por completo essas fontes naturais de poluição. Assim, a cremação, acompanhada de rituais que também se manifestam no procedimento convencional, é uma forma de garantia e segurança ambiental aos que continuam vivos.

Os problemas relativos ao sepultamento convencional e portanto às áreas ocupadas por cemitérios se iniciaram com a comunidade cristã, na Idade Média, quando os corpos eram enterrados próximos às igrejas. Mas relatos e estudos mais avançados dessas áreas são recentes. É possível identificar, na maioria dos cemitérios, desafios relacionados a planejamento, gestão, depósito inadequado de resíduos, entre outros desafios técnicos que afetam tanto as unidades de propriedade pública quanto privadas."


CREMAÇÃO E RELIGIOSIDADE



Com exceção dos países orientais, onde a prática é normal, o rito da cremação ficou esquecido até o ano de 1876, quando em Washington, nos Estados Unidos, na tentativa de revisar o processo, foi estabelecido o primeiro forno crematório dos dias atuais, provocando polêmicas e controvérsias, sobretudo da Igreja, que se posicionou contra a destruição voluntária do cadáver.
 Só a partir de 1963, mediante a propagação do processo em diversos países do planeta, o Vaticano através do Papa Paulo VI apresentou uma abertura, mas não se posicionando claramente quando se expressou que não proibia a cremação, mas recomendava aos cristãos o piedoso e tradicional costume do sepultamento. A Igreja teve suas razões para defender a inumação. Aprovar plenamente a cremação seria negar o dogma por ela estabelecido. 

Nessa seqüência histórica observa-se que na cultura religiosa de todos os povos sempre pairou uma nebulosa noção de espiritualidade, e nela, a preocupação do homem com seu destino após a morte. No entanto, cada vez mais adeptos de todas as seitas estão optando pela operação crematória. Seus partidários fundam-se em diversas considerações. Para alguns está ligada a fatores sanitários, sendo que alguns cemitérios podem estar causando sérios danos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população, enquanto que para muitos usuários dos crematórios o processo diminui os encargos básicos econômicos, entre eles a manutenção da tumba.


Atualmente, o Brasil conta com quatro áreas crematórias e está em fase de expansão. A área da Vila Alpina, na cidade de São Paulo, foi fundada em 1974. É a primeira área crematória do país e conta com quatro fornos importados da Inglaterra. Pertence à Prefeitura Municipal e leva o nome do seu idealizador, Dr. Jayme Augusto Lopes. As outras três áreas são particulares e estão localizadas na cidade de Santos, no Estado do Rio de Janeiro e no Estado do Rio Grande do Sul.


Hoje em dia, nos Estados Unidos cerca de 50% das pessoas que morrem são cremadas, principalmente por causa dos altos custos envolvidos num sepultamento. A cremação, em geral, não custa mais de 10% do valor de um sepultamento e não gera posteriores custos e trabalhos às famílias.


SEPULTAR OU CREMAR NA VISÃO ADVENTISTA

Para George W. Reid, que atuou por 20 anos como diretor do Biblical Research Institute da Conferência geral dos Adventistas do Sétimo Dia, nunca foi tomada uma posição sobre cremação, porque “nossa compreensão bíblica acerca da morte e ressurreição faz com que o assunto perca sua importância" (veja Jó 19:27; Daniel 12:2; Lucas 24:39). “Contrários à idéia de uma dicotomia entre corpo e alma, afirmamos que o ser humano tem uma existência física tanto antes da morte como na ressurreição. A pessoa que morre permanece na mente de Deus e, por meio de Seu poder criador, Ele haverá de restaurar-lhe a vida segundo Sua vontade, num novo corpo isento dos efeitos os pecado (I Coríntios 15:52). Na ressurreição, o Criador não depende de elementos previamente existentes. - Quando analisado à luz de nossa compreensão acerca de como Deus age, a cremação não representaria nenhum problema e a igreja adventista recomenda que seus membros sigam a consciência."


De acordo com o site Wikipédia, entre as religiões que permitem a cremação constam: Adventismo, Ásatrú, Budismo, Calvinismo, Ciência Cristã, Cientologia, Quáqueres, Exército da Salvação, Hare Krishnas, Hinduísmo, Igreja de Gales, Igreja da Irlanda, Igreja Episcopal Escocesa, Luteranismo, Metodismo, Testemunhas de Jeová, Universalismo Unitário e o Jainismo.

UMA DECISÃO PESSOAL OU FAMILIAR

Algumas pessoas preferem a incineração por razões de foro íntimo, uma vez que essa se apresenta mais atrativa e prática do que o enterro tradicional. Para elas seria muito desagradável a idéia de um longo e lento processo de decomposição - putrefação do cadáver - e preferem a alternativa da cremação, com a aceleração da destruição dos restos e sem chance para a ação microbiológica. Alguns não acham necessário o doloroso e complicado o procedimento tradicional, e outros pela simples razão de ter medo ou fobia ao enclausuramento eterno em um caixão, enquanto a essência do espírito humano é de liberdade plena. 

De alguma forma dependerá da competência, sensibilidade social e espiritualidade dos legisladores assegurar ao cidadão o direito de expressar seu desejo quanto a cremação ou enterro tradicional em um simples documento de identificação que o acompanhe, e de forma desburocratizada garantir o que será feito com o corpo após a morte física, procedimento que já existe em alguns países em relação à doação de órgãos.
Ante a inexistência de tal procedimento, considerando a perenidade humana e imprevisibilidade da morte, fica a recomendação que se recorra ao registro público da vontade em relação à questão, para não haver risco de mal estar espiritual para aqueles que se opõem ao método tradicional de condicionamento ou aprisionamento, seja físico, espiritual, religioso ou cultural. Na dinâmica do Universo nada é estático.

Processo de Cremação no RJ: