SÃO JOÃO DE URUBURETAMA / UMIRIM-CE, BRASIL
Originada por volta do século XIX, a cidade de Umirim, berço da família Sales, localizada no Norte Cearence denominou-se inicialmente ‘Riacho da Sela’. Segundo a lenda as famílias SALES e PEREIRA, instalaram-se às margens de um riacho onde, certo dia, alguém encontrou uma sela abandonada. A sela seria de um vaqueiro que, ao tentar atravessar o riacho, fora arrastado pela força da correnteza. Ele percorria as trilhas da região montado a cavalo à procura de um dos bois de seu rebanho. Ao chegar no riacho, o cavalo caiu por cima do vaqueiro, e não podendo este se levantar, morreu afogado. Os amigos e familiares sentiram a ausência do vaqueiro, mas nada sabiam sobre seu paradeiro. Até que, tempos mais tarde, foram encontrados às margens do riacho a sela e alguns de seus pertences. Deste dia em diante, o povoado passou a chamar-se Riacho da Sela - nomenclatura oficialmente reconhecida pelo Ato Provincial de 9 de setembro de 1873 e considerada marco inicial do atual município de Umirim. A cidade teve como precedente de formação gregária o Capitão Carlos Antônio de Sales. Com uma população estimada em pouco menos de 20.00 habitantes é banhada pelo Rios Curu e o açude de Caxitoré. Sua economia baseia-se na agricultura de subsistência e pequenos comércios ocupando um índice de 0,578 considerado baixo no Ranking decrescente do IHD-M dos Municipios brasileiros conforme indicadores de 2008 divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Tive o privilégio de visitar Umirim, antes pertencente ao Município de São João de Uruburetama - CE, terra dos ancestrais de minha saudosa mãe Adamar de Paiva Sales (Saraiva), filha de Antônio Sales de Farias e Tertuliana Adelina de Paiva (Sales). Os pais de eu avô Antônio Sales, chamavam-se Antônio Ferreira de Farias e Francisca de Paula Sales (Farias). Já os pais de minha bisavó Francisca Sales, chamavam-se José Alípio de Paiva Palhão e Maria Antônia da Conceição Paiva.
Do primeiro casamento de meus avós realizado na cidade de Óbidos, município brasileiro do estado do Pará nasceram Álvaro, Adamar, Aloísio e Antoniana.
Algum tempo depois do falecimento da vovó Tertuliana, casou-se com Leonor Canto (de Farias) ganhou Alcides, Aldira, Aguimar, Almira e ‘Raymond’ Jorge. (Esse último, filho de coração).
Nota-se que os nomes dos filhos tanto do primeiro quanto do segundo casamento receberam a letra “A" como inicial.
Coincidentemente e exatamente no dia 20 de julho de 2017 em que estariam completando 88 anos de casados, esse descendente, Samuel Sales Saraiva visitava aquele sertão com o objetivo de conhecer e coletar informações sobre as origens da família.

Facsimile da 2a. via da certidão de casamento expedida em Salé-Juriti, PA, em 10/07/2017 (Cortesia: Dra. Socorro Apolônio , TJ-CE)
Encontrei-me com pessoas simples, portadoras do mesmo DNA. Contemplei em silêncio o cenário dos montes e a mesma paisagem que vislumbrou os olhos de meus antepassados e alçaram seu pensamento de gratidão e reverência a grandeza do Criador. Foi um privilégio gratificante conversar com anciãos que testemunharam e conviveram com eles ou que deles tiveram conhecimento.
A pequena igreja católica no centro da cidade foi construída no local onde foram enterrados. Posteriormente transferidos para o novo cemitério da cidade, seus restos, hoje ironicamente descansam em pleno abandono e esquecimento. Os jazigos são cuidados apenas por um pobre zelador, sua esposa e a pequena filha, criada entre os túmulos que conhece como ninguém e que por eles percorre com inigualável e graciosa agilidade.
Aliás, o cenário daquele lugar não difere muito de outras regiões do país, onde os antepassados foram esquecidos e alguns jogados em ossários coletivos a céu aberto ou em sepulturas singelas encobertas pelo mato e as queimadas gerando a sensação de injusto purgatório. Com mais sorte, alguns dos meus ancestrais compartilham sua morada eterna com abelhas silvestres, que nelas fizeram colméia, conforme evidenciam as fotos que tirei em Umirim evidenciando generalizada indiferença e o descaso do Poder Público para com seus cidadãos.
Visitar Umirim por certo, permitirá àqueles que possuem a capacidade mental e espiritual de reverenciar seus ancestrais de sentir em plenitude um sentimento de gratidão, advinda da agradável energia que aquela humilde cidade transmite preservando os hábitos e a cultura adormecida no tempo.
Naquelas terras onde foi plantada com grandeza a genealogia, repousa uma parte da história familiar na qual a simplicidade encontrou morada.
Um tributo da alma e gratidão àquela gente humilde, que ousou transcender os limites geográficos migrando para desafiar toda sorte de adversidades e intempéries como partícipes da conquista de fato da Amazônia, muitos perderam vida naquela fascinante epopeia, da qual os SALES também dividem os méritos por haverem fincado raízes e construído um exemplar e orgulhoso legado de dignidade, numa época em que a maior floresta do mundo exerceu importante papel na produção do látex, matéria-prima importante para a vitória dos aliados durante a 2ª. Guerra Mundial. Uma contribuição importantíssima para a vitória que garantiria o mundo livre do nazi-fascismo.
Aqueles heróis anônimos foram também guerreiros, inspirados pela fraternidade e desprendimento; tiveram seus méritos escritos nos registros eternos do Universo como artífices de um legado ironicamente quase esquecido pelas gerações que os sucederam.
A saga dos Sales não estancou na Amazônia. Impulsionados pelo espírito dos antepassados ousarem com sucesso transcender as fronteiras do Brasil para tornarem-se cidadãos do mundo, estabelecendo-se nos Estados Unidos, Europa e até em remotas paragens do planeta, ostentando o orgulho do sobrenome que carregam.
Meu avô Antônio Sales de Farias faleceu na cidade de São José do Rio Preto, SP 13 de Junho de 1993, as 8:30 am.

Facsímile da Certidão de Obito
Cronología histórica - (Dados oficiais)
1937 - Riacho da Sela passa a se chamar Riachuelo. No ano de 1937, Riacho da Sela passou a chamar-se ‘Riachuelo’, por determinação da Lei nº 346, de 10 de agosto. O nome Riachuelo foi uma homenagem à Batalha Naval da Guerra do Paraguai, travada no Rio Paraná em 11 de junho de 1865 entre a Esquadra Brasileira e a Esquadra Paraguaia.
1943 - Riachuelo passa a se chamar Umirim. O nome atual do município (Umirim) é resultante de dispositivo do Decreto-Lei nº 1.114 (30 de dezembro de 1943). O nome Umirim é de origem tupi-guarani que significa riacho ou rio pequeno. Quem nasce em Umirim é umiriense.
1963 - Primeira tentativa de elevação do Distrito a Município. A Lei Estadual nº 6.417 (9 de julho de 1963) elevou pela primeira vez o então distrito à categoria de município, desmembrando-o do município de Uruburetama.
1965 - Umirim volta a ser Distrito. Em 15 de dezembro de 1965, a Lei que desmembrava Umirim de Uruburetama foi revogada pela Lei nº 8.339 (publicada no Diário Oficial).
1985 - Elevação de Umirim a Município. Com o crescimento do distrito, um grupo de moradores reivindicou uma consulta plebiscitária para decidir sobre a Emancipação Política de Umirim. Dos 2.909 eleitores que foram às urnas, no dia 22 de janeiro de 1984, apenas 70 votaram desfavorável à emancipação. Assim, no dia 5 de fevereiro de 1985, através da Lei nº Estadual 11.006, Umirim foi elevado - pela segunda e definitiva vez - à categoria de município.
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